Organizações Queer e Trans exigem que Israel genocida seja imediatamente excluído da Eurovisão!
JANEIRO DE 2026
A Eurovisão tem, desde há muito, atraído a paixão e o apoio da comunidade LGBTQIA+. Israel vê neste concurso uma oportunidade única para fazer pinkwashing dos seus crimes de guerra, da sua violência colonial e da sua limpeza étnica. Pinkwashing é um forma oportunista, por parte de Israel, de usar a comunidade LGBTQ+ para projetar uma imagem progressista, enquanto que, simultaneamente, comete genocídio.
A European Broadcasting Union (EBU) baniu a Rússia da Eurovisão, quase imediatamente após a sua invasão ilegal da Ucrânia. Porém, continua a lutar para manter Israel, um estado sionista e genocida, na competição.
A seletividade moral da EBU não é despropositada — é racista. O sofrimento ucraniano é legível e urgente porque se alinha com a autoimagem supremacista branca da Europa, enquanto o sofrimento palestiniano é tornado invisível, negado e despolitizado. Isto é um posicionamente colonial de empatia: alguns corpos são humanizados, enquanto outros são considerados descartáveis.
Dois anos de genocídio por parte de Israel em Gaza produziram grave desnutrição e fome calculada, deslocação em massa, destruição cultural e o ataque deliberado a civis. Manter Israel na Eurovisão enquanto Gaza passa fome é ser cúmplice no genocídio.
O novo relatório publicado pela ONU, “Gaza Genocide: a collective crime”, refere a participação de Israel na Eurovisão como um exemplo proeminente de como “Israel tem sido protegido da responsabilização”. Ao insistir na participação de Israel na Eurovisão, a EBU é cúmplice não só do branqueamento e pinkwashing do genocídio israelita contra os palestinianos, mas também da sua viabilização.
A participação contínua de Israel na Eurovisão demonstra como a Europa aceita e colabora com a violência colonial, especialmente quando o perpetrador se alinha com os seus interesses geopolíticos. A decisão da EBU de incluir Israel reforça a aliança histórica entre instituições europeias e a maquinaria sionista.
O movimento palestiniano de Boycott, Divestment, Sanctions (BDS) apela a instituições e à imprensa para que se retirem do Festival Eurovisão da Canção, caso o Israel genocida não seja banido. A emissora israelita KAN tem, de forma consistente, justificado e incitado o genocídio em transmissões em direto.
Como afirmou a Palestinian Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel (PACBI):
“Antes do atual suposto cessar-fogo em Gaza (que Israel tem repetidamente violado), os organismos nacionais de imprensa dos Países Baixos, Espanha, Irlanda, Islândia e Eslovénia indicaram que se retirariam da Eurovisão se Israel não fosse banido.”
À data da redação deste texto, cinco organismos de imprensa deram o passo de boicotar o concurso. Para além disso, um antigo vencedor devolveu o seu troféu, enquanto as condições genocidas criadas por Israel nos últimos dois anos continuam a destruir vidas e meios de subsistência palestinianos. É necessário pressão sobre todos os organismos participantes, com o compromisso de se retiraram imediatamente e publicamente da Eurovisão enquanto que Israel genocida não seja banido.
Os organismos europeus de imprensa que se recusam a retirar-se estão a proteger Israel da responsabilização, tornando-se cúmplices do seu genocídio contra 2,3 milhões de palestinianos em Gaza. Legalmente e eticamente, o mínimo que estes organismos podem fazer é retirar-se imediatamente da Eurovisão.
A libertação queer não pode ser construída enquanto existir opressão sob povos colonizados. Qualquer política trans ou queer que não confronte o colonialismo israelita é apenas mais um braço do império.
Os palestinianos queer continuam a existir e a resistir, como sempre fizeram. Enquanto coletivos LGBT+ da Palestina e de todo o mundo, rejeitamos a instrumentalização das nossas identidades e comprometemo-nos com uma luta de libertação que centre os colonizados, e não os colonizadores. Não pode haver libertação queer e trans sem liberdade, justiça e descolonização da Palestina.
Em 2025, milhares de trabalhadorxs na área do cinema, músicxs e outras figuras culturais declararam publicamente a sua recusa em participar no artwash do genocídio israelita contra os palestinianos. Milhares de artistas e centenas de organizações queer e trans já apelaram anteriormente à exclusão do Israel da Eurovisão. Jornalistas e apresentadorxs recusaram trabalhar com a Eurovisão, e muitas exibições públicas foram canceladas.
O boicote cultural é uma recusa decolonial, uma recusa ao espetáculo racista que transforma a morte palestiniana em ruído de fundo para o entretenimento europeu.
Boicotar a Eurovisão significa recusar a normalização do assassínio em massa de palestinianos por parte de Israel. Não pode haver celebração da diversidade num palco construído sobre corpos palestinianos.
Com pressão estratégica e crescente, sabemos que podemos forçar a EBU a expulsar Israel da Eurovisão. A descolonização exige que desmontemos todas as plataformas que normalizam a violência colonial — e a Eurovisão não é exceção.
ATÉ ISRAEL SER BANIDO DO FESTIVAL DA EUROVISÃO DA CANÇÃO, EXIGIMOS:
- Que os organismos nacionais de imprensa se retirem da Eurovisão
- Que os participantes da Eurovisão se recusem a atuar
- Que os espaços locais cancelem as suas festas e exibições da Eurovisão
- Que organizações LGBTQIA+ de todo o mundo se juntem ao boicote à Eurovisão
Organizações LGBTQIA+: Assinem o nosso Apelo à Ação
Para assinar este apelo, clique no botão para preencher o formulário ou envie um e-mail a partir do endereço oficial da sua organização para queercoalitionforpalestine@riseup.net com as seguintes informações:
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- Subscrição (escolher até 2 opções):
A: Participaremos na organização e em ações de boicote à Eurovisão (podendo colaborar com grupos locais do BDS)
B: Somos uma organização LGBTQIA+
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